A história de Vinicius Montardo Rosado. Um rugbier.

28/01/2014
A história de Vinicius Montardo Rosado. Um rugbier.

Garra, suor… as vezes sangue. Dar tudo. Seja numa partida, ou em cada treino. Isso é o rugby. Se doar por completo, dizem. É um estilo de vida, que deveríamos aplicar dentro e fora do campo, dizem. Este cara fez.

O nome dele é Vinicius Montardo Rosado, ajudou a salvar 14 pessoas antes de pagar com a sua própria vida. Foi um anjo-herói na noite da tragédia da Boate Kiss. Um rugbier que decidiu dar tudo que podia, dentro e fora do campo.  

Vinicius, a sua irmã e amigos, estiveram na boate naquela noite de 27 de janeiro de 2013. Ele, com 26 anos, estava no último ano da faculdade de educação física, e preparava o trabalho final do curso justamente sobre o rugby, onde se formaria no final desse semestre.

Mantivemos uma emotiva conversa com a irmã dele, Jéssica Montardo. A quem agradecemos a atenção e por compartilhar detalhes da intimidade deste verdadeiro rugbier.

 

- Como o Vinícius era entre os familiares?

- O Vini é unanimidade até hoje. Ele sempre foi daquelas pessoas que a gente dizia “Nossa! Tu não pertence a esse mundo”.
Ele não falava mal de ninguém, tinha vários melhores amigos. Conhecia as pessoas e dali a 5 minutos, já fazia amizade. Não tinha problemas. Não sentia dor. Acordava cantando, dormia cantando. Sempre com uma piadinha pronta. 

Sempre falo que não é porque ele faleceu, mas porque realmente ele era a alegria em pessoa. Para quem tu perguntar, era um exemplo de vida, de ser humano, e continua até hoje. Pois recebemos a todo instante homenagens. Nós nunca procuramos mídia, aconteceu pela linda história de vida dele.

- Ele participava de varias atividades além do rugby?

- Sim, ele gostava de vários esportes. Mas o rugby era uma paixão. Ele era professor do coletivo Coca Cola, que prepara menores para mercado de trabalho. Dava aula na APAE para menores infratores, e para um grupo de terceira idade de uma vila carente. Ele fazia vários trabalhos solidários, e ainda dava aula em academia. Arrumava tempo pra tudo. Dançava num CTG (Centro de Tradições Gaúchas), por vontade minha. 

A gente sempre dividiu tudo, amigos, o quarto, comida, atividades... parecíamos gêmeos.
Era meu melhor amigo. Muito mais calmo que eu. Era minha base.

-
Ele passava valores do rugby para as outras atividades dele?

- Sempre, em tudo. Ele vivia o rugby, os valores. Nossa mãe falava que era um esporte bruto, e ele sempre dizia “Mãe, aprendo muito. as pessoas são amigas, a gente vive uma amizade verdadeira dentro do rugby”.

No último ano por conta de todo trabalho e uma lesão no joelho ele tinha parado um pouco com o rugby, mas voltaria esse ano, pela paixão.

- Mesmo não podendo jogar ele acompanhava o clube?

- Sempre. Sempre estava com os guris. Foram uma grande amizade, acima de tudo.


-
Na noite do incêndio, ele estava com quem?

- Ele estava comigo, mais dois amigos que são de fora de Santa Maria. Amigos de infância.


- Há relatos de que ele ajudou a tirar 14 pessoas de dentro da boate. É verdade?

- Olha eu não sou de falar em números, até porque não sei quem parou para contar, mas ele voltou várias vezes. Dizem que foram 14. Sabemos pelos depoimentos que cada vez que ele saia ele vinha com dois nos braços. Pediu água, retornou.


-
O que podes nos contar do momento do incêndio?

- Eu não vi ele em nenhum momento, pois na hora do fogo eu estava em frente ao palco, e ele no lado aposto, com os amigos. A única que sobreviveu dos amigos fui eu.
Falei com ele minutos antes para dizer que eu ia para frente do palco, para dar oi para uns amigos, e não vi mais ele.


-
Como você ficou sabendo da morte dele?
- Eu vim para casa com a noticia que ele tinha sido levado ao hospital, dai começou a procura... e as 5:30, 6:00 da manhã, um amigo dele reconheceu o corpo e nos deu a noticia.


-
Os seus pais já estavam sabendo do incêndio?

- Sim. Assim que eu sai da boate, liguei para casa gritando, e meu pai foi até a boate, tentou me acalmar, pois eu tentei entrar várias vezes. Depois já ficou sabendo que o Vini tinha sido levado ao hospital.


- Se tivesse algo para dizer à ele, o que diria?

- Que eu sinto falta desde a hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir. Sinto falta do abraço, da alegria. Dele gritando pelo meu apelido: “Pança! vem aqui”. Sinto falta das festas, das brigas... Mas também queria dizer pra ele o tanto orgulho que sinto. O quanto ele me trouxe alegria, que ele me ensinou a viver melhor. Me ensinou o verdadeiro sentindo das amizades, e das pessoas. O quanto eu me encho de alegria em dizer sim que eu sou irmã do Vini.

Que não me arrependo de nada, pois eu sempre disse o quanto eu o amava. Eu abraçava, eu beijava. Eu era uma chata com ele, mas com certeza se eu tivesse uma nova oportunidade, eu falaria o dobro, abraçaria o dobro. Beijaria todos os segundos.

Que ele foi, e é, a pessoa mais importante da minha vida. Que eu não sei viver sem ele. E hoje vivo pois a presença dele está sempre comigo, no pensamento e no meu coração!

E que ele aguente a onde ele estiver. Porque eu aguento aqui também. Por ele, pelo nosso amor, que é incondicional e maior que tudo!


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