Bola viva: com Paulo "Monkey" Kneip

18/02/2015
Bola viva: com Paulo

Conversamos com um personagem do rugby fluminense e brasileiro. Uma pessoa que leva o rugby no seu sangue, é muito fácil identificá-lo. No campo brigando por cada bola como um pitbull, e nos terceiros tempos certamente vai ser quem comande as cantorias e confraternize com todo mundo. Com vocês: Paulo Kneip, "Monkey", um hooker. 

Primeiros passos no rugby?

Sou nascido no Rio de Janeiro, mas minha infância foi em São Paulo. Estudei no Colégio Friburgo e lá tive  meu primeiro contato com o Rugby, isso nos idos  de 79...80. Eu era muito novo e lá havia um aluno chamado Miguel, que sempre estava com camisas de Rugby, assim como fazemos todos nós. Ele me chamou várias vezes e eu nunca ia. Pelas cores da camisa, era do SPAC ou Alphaville.


Idade: 45 aninhos
Nascido em: 08/11/1969 -  Rio de Janeiro
Profissão: Auxiliar Administrativo no Instituto Nacional de Tecnologia  - INT 


Como conheceu o rugby: 

Seguindo a introdução,  em 1985, já morando em Niterói, a turma comandada pelo hoje Presidente da FFRu, o hoje Sr Henrique Thoni, acompanhado de Marcelo Bozó, Jamelão e Mauro Buldoguinho, foi dar uma palestra  sobre Rugby em minha Escola, o Centro Educacional de Niterói.  De uma maneira super divertida eles conseguiram fazer uma turma de mais de 100 garotos de todos as turmas e idades que durante muito tempo treinou junta na Praia de Icaraí, junto com o Niterói Rugby FC. Tempos divertidos demais. Dessa turma surgiu Fernando Esteban (com uma semana na minha frente destes 30 anos de Rugby juntos). Célio Bacalhau, André Delfin, Edson Anjinho, Cícero Tauil entre muitos outros. Eram treinos de base e super sérios, que nos fizeram sobreviver até hoje. Os Primeiros Passos são importantíssimos!!

 
Onde já jogou:

Sou Niterói Rugby FC doente!!! Mas tenho a filosofia de vestir várias camisas diferentes levando um pouco do que sei para a garotada que está começando. Isso quer dizer que já entrei em campo por praticamente todos os clubes do Rio, alguns de SP (Keep Walking, Federal, SPAC), Ceará (Sertões RC, Centuriões RC), Minas (Varginha, BH, SJ Del Rey)....Até no time do grande Marcelo Gordo, do Amazonas eu já tirei uma casquinha. Gosto dessa coisa do Rugby pelo Rugby, sem Fronteiras.

Um time: 

Niterói RFC. Minha casa.


A importância do treino: 

O Rugbier tem que saber aonde está pisando quando entra em campo. O treino com dedicação e atenção te fará um jogador capaz de suportar as situações que o contato do esporte nos proporciona. Geralmente, quem se lesiona (e lesiona os companheiros) é quem menos presta atenção aos  treinos. A base é tudo. A internet ajuda. Mas aprender a jogar com competência necessita treinadores competentes. Os cursos CBRu estão aí pra isso. Gosto de um treino alegre, dinâmico e variado, mas sempre atento para a lapidação dos jogadores, em todos os sentidos.


O exercício que mais gosta é: 

Gosto dos desafios, da superação e da coordenação entre os jogadores. Não tenho algo específico Acho que gosto dos treinos de penal, Rucks e Scrum Machine. O Line vem sendo o preferido.

O exercício que menos gosta é:

Burpies são coisas inventadas pelo capeta. Faço, mas odeio.


Posições que já jogou:

Atualmente de Hooker ( foi o que me sobrou), eu já joguei de Pilar, Asa, Half, Abertura, Centros e Ponta (isso bem antes de estufar). Gostava de jogar de Ponta. Já fui rápido e trago dessa passagem na Linha um ótimo passe.

 

Qualidade dentro de campo: 

Me divirto muito jogando. Jogo rindo e com companheirismo. No jogo há momentos pra tudo. Jogo duro e concentrado, apesar de não parecer.


Aspecto que mais trabalha para melhorar: 

Aos 45 anos vc quer mais se divertir jogando. Tento melhorar a parte aeróbica para poder fazer  mais em campo. O corpo obedece um pouco menos.

Para onde o rugby já te levou?

O Brasil do Super 10 é bem conhecido. Já fomos em Gira para Mar Del Plata, Montevideo e Buenos Aires. Eu, dei uma chegada no Nordeste quando a coisa estava começando por lá...Sul, Norte....pelo Rugby já passeei bastante e fiz grandes amigos. O Rugby me trouxe até aqui. Já participei, organizei e hoje dou palpites.

Partida inesquecível:

Essa é a mais difícil de responder.... A primeira que você é escalado para o Time A do seu clube é a hora de mostrar a seus professores que você está preparado para defender suas cores como gente grande. A minha vez  foi contra o São Paulo de Wolney, Franceschinny e Gardelon. De tão nervoso que eu estava “fiz” dois tries na linha dos 5 metros, no antigo Campo da Polícia Militar que já não existe mais. Foi um grande jogo. Jogamos partidas memoráveis no Rio Cricket contra clubes internacionais. Tenho todas as minhas camisas trocadas desde então. 


Para ser um bom atleta é preciso: 

Eu sou jogador de Rugby. Não sou atleta. Hoje em dia a preparação parece estar mais em voga que a lapidação do caráter esportivo. Sou bom Rugbier. Corro, “bato”, sangro e levanto. Treino com vontade, mas não sou atleta. Para ser atleta é preciso dedicar tempo, dinheiro, paciência individual. Gosto de treinar, correr, malhar, suar, sofrer e rir com meus amigos e irmãos que o Rugby me deu. Todas as terças e quintas de quase  uma vida inteira. Essa é diferença básica. Não estou nessa pela competição. Estou nessa pelo prazer de estar com gente igual a mim: finos, fofos, fortes e felizes por estar com a ovalada nas mãos. E no meio disso tudo, tem a competição e a disputa, para que possamos beber a cerveja depois. Atleta não bebe.

 

Qual a sua motivação: 

Já passei por “muitas” e boas pelo Rugby. Já brinquei e briguei com gente muito querida para que o Rugby do Rio caminhe por uma estrada mais fácil. Acredito que esse seja o passo que o veterano do esporte tenha que dar quando seu corpo não agüenta mais a cacetada do mesmo jeito que antes. Facilitar. Minha motivação é saber que posso e vou fazer mais. Não seria justo virar as costas para esses anos de diversão. Agora é fazer com que a tradição se mantenha. Que o garoto e garota possa ter acesso a um Rugby de qualidade em todos os sentidos e que eles saibam que antes de sua geração, há uma com  uma bonita história a ser respeitada. E só estando presente isso será feito. 

 
Joga com ou sem ombreiras?

Jogo sem. Sou forte o bastante para agüentar isso sem proteção. Já joguei com e não vi diferença que me fizesse mudar de idéia.


Com ou sem scrumcap: 

Para alguns jogos mais preocupantes, usei e me preservei. Acredito na importância de proteção às lesões e nas novas regras que nos salvaguardam de cabeçadas mais fortes que aconteciam com mais freqüência no passado. Jogo sem, mas levo o meu na bolsa. 


Travas?

O Brasil (no meu caso, o sudeste) não tem campos para as travas de 21mm. Quem usa deve se preocupar com as lesões que isso vai lhe causar. 18mm é o máximo utilizável por aqui. As minhas são de alumínio. 8 travas. Meio cano. Isso pra jogo. Para treino, um tênis velho e de boa qualidade e chuteiras baixas de borracha. Onde treinamos, o campo é inconstante, mas é mais duro que mole.

Tem amuleto? 

Mesma camisa antes do jogo o ano todo. Durante muito tempo joguei com a primeira meia de Julia, minha doce filhota, dentro da chuteira. Dava muita sorte. Parei com isso para preservar o amuleto.


Superstição antes do jogo: 

Pé esquerdo na primeira pisada de entrada em campo. Abraçar a bola bem forte antes do jogo.


O árbitro de rugby é:


É o Senhor da partida. É quem toma conta de mim nas besteiras minhas e das besteiras dos outros. É quem me deixa jogar em paz se eu souber jogar o jogo. Essencial. Se ele errar, é com ele mesmo. 

Já jogou machucado?

Muitas vezes. O tesão de estar em campo é maior que a dor. Claro que tudo tem seus limites.

 
Histórico de lesões: 

Quebraduras : Nariz  5 vezes (uma operação de correção)  -  Fibula  -  Clavicula (2x)  - Tornozelo  - Mandibula (4 parafusos)  - Pulso – Dedos (muitas vezes) – Costelas (4x - não engessa, então não sei se quebraram ou fissuraram).

Torções -  Joelho (pq eu seria diferente ??) – Tornozelo – Cotovelo  - Pulso. Dobras.... tudo o que dobra eu já torci.

Se me  perguntar o que me dói de manhã, vou dizer TUDO.

Mas isso, é culpa minha, pois não me tratei decentemente. Nunca fui a um fisio. E se eu for, serei condenado a parar de jogar.


Comida preferida no terceiro tempo: 

Terceiro tempo do  BH Rugby (Feijão tropeiro) e do Farrapos (Churrasco e Macarronada). Sem desmerecer a todos os outros, são os mais gostosos.


O seu melhor terceiro tempo: 

Os que eu comando a cantoria. As musicas de Rugby são parte da cultura do esporte. Pra mim é igual à capoeira. Tem que ter musica no final.


Quando descobriu que estava apaixonado pelo rugby:

Quando me vi acordando pensando mais em Rugby do que na mulherada.


O rugby é: 

80% do sangue que rola nas minhas veias.


Se não jogasse rugby, o que seria de você?: 

Não me vejo sem Rugby. Acho que seria um judoca ou professor de artes. Teria um pouco mais de tempo. Nunca saberei.


Um sonho: 

Meu Clube cheio de gente. Um campo rubro e negro. Respeito... Ter um canto para admirar o passado, o presente e o futuro do esporte que tanto gosto. Jogar até onde o corpo deixar. Trabalhar pra isso acontecer. Quem fica parado é poste.

 
Monkey por Monkey:

Eu sou o que vocês vêem. Sou o pai da Julia. Depois disso, sou aquele carioca farrista que adora Rugby e os amigos que vêm no pacote. Precisando, Tamozaê!!

Créditos das fotos: FotoJump / MOCJ / Portal Do Rugby / Acervo pessoal / Calendário do Keep Walking Rugby.

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