A história de Vinicius Montardo Rosado. Um rugbier.

28/01/2014
A história de Vinicius Montardo Rosado. Um rugbier.

Garra, suor… as vezes sangue. Dar tudo. Seja numa partida, ou em cada treino. Isso é o rugby. Se doar por completo, dizem. É um estilo de vida, que deveríamos aplicar dentro e fora do campo, dizem. Este cara fez.

O nome dele é Vinicius Montardo Rosado, ajudou a salvar 14 pessoas antes de pagar com a sua própria vida. Foi um anjo-herói na noite da tragédia da Boate Kiss. Um rugbier que decidiu dar tudo que podia, dentro e fora do campo.  

Vinicius, a sua irmã e amigos, estiveram na boate naquela noite de 27 de janeiro de 2013. Ele, com 26 anos, estava no último ano da faculdade de educação física, e preparava o trabalho final do curso justamente sobre o rugby, onde se formaria no final desse semestre.

Mantivemos uma emotiva conversa com a irmã dele, Jéssica Montardo. A quem agradecemos a atenção e por compartilhar detalhes da intimidade deste verdadeiro rugbier.

 

- Como o Vinícius era entre os familiares?

- O Vini é unanimidade até hoje. Ele sempre foi daquelas pessoas que a gente dizia “Nossa! Tu não pertence a esse mundo”.
Ele não falava mal de ninguém, tinha vários melhores amigos. Conhecia as pessoas e dali a 5 minutos, já fazia amizade. Não tinha problemas. Não sentia dor. Acordava cantando, dormia cantando. Sempre com uma piadinha pronta. 

Sempre falo que não é porque ele faleceu, mas porque realmente ele era a alegria em pessoa. Para quem tu perguntar, era um exemplo de vida, de ser humano, e continua até hoje. Pois recebemos a todo instante homenagens. Nós nunca procuramos mídia, aconteceu pela linda história de vida dele.

- Ele participava de varias atividades além do rugby?

- Sim, ele gostava de vários esportes. Mas o rugby era uma paixão. Ele era professor do coletivo Coca Cola, que prepara menores para mercado de trabalho. Dava aula na APAE para menores infratores, e para um grupo de terceira idade de uma vila carente. Ele fazia vários trabalhos solidários, e ainda dava aula em academia. Arrumava tempo pra tudo. Dançava num CTG (Centro de Tradições Gaúchas), por vontade minha. 

A gente sempre dividiu tudo, amigos, o quarto, comida, atividades... parecíamos gêmeos.
Era meu melhor amigo. Muito mais calmo que eu. Era minha base.

-
Ele passava valores do rugby para as outras atividades dele?

- Sempre, em tudo. Ele vivia o rugby, os valores. Nossa mãe falava que era um esporte bruto, e ele sempre dizia “Mãe, aprendo muito. as pessoas são amigas, a gente vive uma amizade verdadeira dentro do rugby”.

No último ano por conta de todo trabalho e uma lesão no joelho ele tinha parado um pouco com o rugby, mas voltaria esse ano, pela paixão.

- Mesmo não podendo jogar ele acompanhava o clube?

- Sempre. Sempre estava com os guris. Foram uma grande amizade, acima de tudo.


-
Na noite do incêndio, ele estava com quem?

- Ele estava comigo, mais dois amigos que são de fora de Santa Maria. Amigos de infância.


- Há relatos de que ele ajudou a tirar 14 pessoas de dentro da boate. É verdade?

- Olha eu não sou de falar em números, até porque não sei quem parou para contar, mas ele voltou várias vezes. Dizem que foram 14. Sabemos pelos depoimentos que cada vez que ele saia ele vinha com dois nos braços. Pediu água, retornou.


-
O que podes nos contar do momento do incêndio?

- Eu não vi ele em nenhum momento, pois na hora do fogo eu estava em frente ao palco, e ele no lado aposto, com os amigos. A única que sobreviveu dos amigos fui eu.
Falei com ele minutos antes para dizer que eu ia para frente do palco, para dar oi para uns amigos, e não vi mais ele.


-
Como você ficou sabendo da morte dele?
- Eu vim para casa com a noticia que ele tinha sido levado ao hospital, dai começou a procura... e as 5:30, 6:00 da manhã, um amigo dele reconheceu o corpo e nos deu a noticia.


-
Os seus pais já estavam sabendo do incêndio?

- Sim. Assim que eu sai da boate, liguei para casa gritando, e meu pai foi até a boate, tentou me acalmar, pois eu tentei entrar várias vezes. Depois já ficou sabendo que o Vini tinha sido levado ao hospital.


- Se tivesse algo para dizer à ele, o que diria?

- Que eu sinto falta desde a hora que eu acordo até a hora que eu vou dormir. Sinto falta do abraço, da alegria. Dele gritando pelo meu apelido: “Pança! vem aqui”. Sinto falta das festas, das brigas... Mas também queria dizer pra ele o tanto orgulho que sinto. O quanto ele me trouxe alegria, que ele me ensinou a viver melhor. Me ensinou o verdadeiro sentindo das amizades, e das pessoas. O quanto eu me encho de alegria em dizer sim que eu sou irmã do Vini.

Que não me arrependo de nada, pois eu sempre disse o quanto eu o amava. Eu abraçava, eu beijava. Eu era uma chata com ele, mas com certeza se eu tivesse uma nova oportunidade, eu falaria o dobro, abraçaria o dobro. Beijaria todos os segundos.

Que ele foi, e é, a pessoa mais importante da minha vida. Que eu não sei viver sem ele. E hoje vivo pois a presença dele está sempre comigo, no pensamento e no meu coração!

E que ele aguente a onde ele estiver. Porque eu aguento aqui também. Por ele, pelo nosso amor, que é incondicional e maior que tudo!


Jogando rugby na Austrália

21/01/2014
Jogando rugby na Austrália

Em mais uma de nossas matérias sobre brasileiros apaixonados por rugby, conversamos com Lucas Zandoná, o Lucão, mais um dos nossos atletas que se aventurou em terras estrangeiras para aprender sobre o rugby na Austrália.




Lucas viveu a mesma experiência da maioria dos brasileiros no primeiro contato com o esporte, demorou um certo tempo para entende-lo, e após, acabou se apaixonando, como todos nós, apaixonados por rugby.

- Começou em qual equipe?
- Comecei jogando pelo Serra Rugby Clube, de Caxias do Sul - RS.

 

 


- Como aconteceu a oportunidade de viajar para a Australia?
- Sempre foi um sonho fazer um intercâmbio, felizmente pude juntar o rugby com a prática do inglês e a viabilidade de trabalhar no país para me manter, coisas que os Estados Unidos, Inglaterra e Nova Zelândia ficam devendo em relação à Austrália.

 

- É a sua primeira experiência fora do Brasil?
- Na verdade, já tive algumas experiências internacionais em diferentes níveis. Joguei com a seleção Gaúcha M19, no Uruguai. Joguei pela seleção Brasileira M19 alguns amistosos na Argentina e o Sul Americano no Paraguai, e também já defendi um clube Argentino, o Tala Rugby, de Córdoba, por um curto período de tempo em 2011.

 



- Você é atleta de qual equipe na Australia?
- Na Austrália jogo pelo Melbourne Unicorns (http://www.melbournerugby.com.au). Joguei pelo time M20, e fiz um período de treinos com o segundo e primeiro time adultos.


- Como é a rotina do clube (treinos/jogos/reuniões/terceiro tempo)?
- Os treinos ocorrem no tradicional sistema, terças e quintas, com os jogos ocorrendo nos sábados. A Austrália não tem cultura de Terceiro Tempo, então quase não há interação no pós jogo. Mas não são raros os eventos feitos pelo clube para interação dos atletas e arrecadação de fundos (geralmente são jantas que variam muito de preço, podendo chegar à AU$120 por pessoa, cerca de R$250,00).


- Houve alguma dificuldade na adaptação no clube?
Nas primeiras semanas o inglês foi um pouco chato, até pela presença massiva de Kiwis, o que dificultava muito o entendimento da língua (o sotaque é muito forte e diferente), mas com o passar do tempo foi ficando mais fácil. Outra barreira foi a duração da temporada, de pouco mais de quatro meses, se somada a pré-temporada, são quase seis meses (isso ocorre porque a Austrália tem muitos esportes nacionais, como o Futebol Australiano e o Cricket, somados ao Rugby Union, Rugby League e Futebol, o que gera a necessidade de divisão do ano), então quando estava realmente adaptado ao modo que o jogo corre, os jogos e treinos acabaram.


 

- Como é o ambiente dentro do clube? Quais são as suas expectativas?
- O ambiente é tranquilo, todas as categorias convivem bem, sem rixas. Muitas vezes até se divide o campo, para realização de treinos com o preparador físico do Melbourne Rebels, que joga o Super Rugby. Existem até brincadeiras pela grande quantidade de estrangeiros. Por exemplo, esse ano os Lions jogaram contra os Wallabies em Melbourne, e o nosso clube realizou um amistoso entre os atletas vindos do Reino Unido contra os atletas nascidos na Austrália. O jogo foi nomeado British and Irish Liars (Britânicos e Irlandeses "mentirosos") vs Wannabes ("os que querem ser"). Em relação às expectativas, espero conseguir colocar em prática todas as pequenas coisas que aprendi, e que fazem toda a diferença em campo.

 

- Pretende voltar para o Brasil?
- Sim, estou voltando para o Brasil já em março e tenho vontade de voltar ao Serra Rugby para a disputa do campeonato Gaúcho 2014.


-O que você pode trazer de mais importante da cultura rugby para cá?
- Levo comigo uma nova visão de trabalho, foco e ritmo muito mais intensos dentro de campo para maximizar as chances de obter sucesso em cada situação. Também enxergo a necessidade de estar sempre evoluindo no preparo físico. O que  também vou levar é a vontade de assistir mais jogos de grande nível, em estádios modernos com milhares de pessoas e jogadores de diversas seleções (tive a oportunidade de ver os Chiefs, que são os atuais bicampeões do Super Rugby, os Sprinkboks, Bryan Habana, Gio Aplon, Eben Etzebeth, Jean De Villiers, os Wallabies, Scott Higginbotham, James O'Connor, Kurtley Beale, Israel Folau, Berrick Barnes, Adam Ashely-Cooper, Michael Hooper entre outros grandes jogadores das ilhas do pacífico), além do contato com atletas profissionais do Super Rugby, que vão passar à frequentar os treinos dos clubes semanalmente na próxima temporada.
 


Se você conhece mais atletas brasileiros que já foram, ou estão, em outros países para participar de equipes de rugby, entre em contato com o blog O Rugby, e nos mande o contato. Sua participação é sempre bem vinda.
 O Rugby - o blog dos apaixonados por rugby.

Alberto. O colecionador de camisas de rugby.

06/01/2014
Alberto. O colecionador de camisas de rugby.

Em uma nova série de matérias, o blog O Rugby, apresenta o mundo dos colecionadores de camisas de rugby.
Nesta primeira matéria, conversamos com José Alberto Costa, que talvez seja o maior colecionador brasileiro de camisas de rugby. Ele conta com mais 180 camisas, e segue aumentando.
Conheça mais sobre este verdadeiro apaixonado pelo rugby.

 

- Meu nome  é Jose Alberto Costa, mas no rugby me chamam de Said, pois tinha cabelo grande e lembrava o tal de Said da serie Lost. Moro no Rio de Janeiro e atualmente defendo o brasão do Maxambomba e do Locomotiva Suburbana.

 - Como conheceu o rugby?

 - Conheci em 1999 quando estava cursando a EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante), quando um colega falou deste esporte e fiquei curioso. Busquei me informar até formar um time de rugby na EFOMM, em 2000. 

- Conte-nos um pouco como surgiu sua paixão por camisas de rugby e quando você começou a colecionar.

- Em 2008 já formado e trabalhando em navios da Petrobras, comecei à me empolgar para voltar a praticar o rugby, e durante minhas viagem na marinha mercante aproveitei para saber mais de como estava o cenário do rugby nos estados que meu navio atracava, e notei que no Brasil já existia vários times de rugby bem estruturados e pensei que poderia iniciar uma coleção de camisas de rugby de times do brasil, afim de guardar um pouco da memória deste esporte que moldou meu caráter durante a EFOMM. Procurei então correr atrás dos times afim de comprar camisas de rugby e dar inicio a minha humilde coleção (risos)

- Atualmente, quantas camisas de rugby você tem em seu acervo e qual o foco de sua coleção?

- Para desespero de minha esposa (risos), atualmente já tenho 187 camisas de rugby, o que de longe supera o guarda roupa de minha esposa em sapatos (risos). Sendo que mais de 140 são apenas de times de rugby do Brasil, e pretendo continuar focado em colecionar camisas de times brasileiros, pois quero que o rugby brasileiro seja um legado para minha filha.
Gosto das camisas dos times lá de fora, mas o design e as estampas dos times daqui não ficam atrás em nada. Uma vez que já existem ótimas confecções especializadas na produção de camisas.

- Você tem alguma camisa que considera especial? Qual a maior relíquia em sua coleção?

A camisa mas especial para mim chega a ser uma historia engraçada pois não a tenho mais. Era uma camisa comemorativa da guerra das Malvinas, que possivelmente foi roubada aqui de casa pelo pedreiro que trabalhava aqui, mas fico feliz, pois ele teve bom gosto, e agora sei que existe mais uma pessoa aí fora divulgando o rugby toda vez que ele veste ela (risos). Minha maior relíquia e a camisa que jogava de oitavo e capitão da equipe da EFOMM, pois olho para ela e vejo que fui de oitavo para pilar em 10 anos (risos).


- Qual camisa foi a mais difícil de conseguir?

- A camisa que mais me deu trabalho foi a camisa dos Barbarians, da AFA de rugby. Pois é muito difícil uma academia militar liberar um uniforme, mas depois de muita luta tenho a minha aqui para somar na minha coleção

 

- Qual camisa considera a mais bonita de sua coleção?

A camisa mas bonita é a do Mirmidões Rugby, do Mato Grosso do Sul. O designer da Sulback, estava muito inspirado ao fazer essa camisa, sempre que tenho uma oportunidade uso.

 

- Qual camisa ainda não esta em seu acervo e que deseja conseguir?

Quero muito camisas dos times do norte do país como o Acemira, de Porto Velho, e também a camisa do Alecrim, do Rio Grande do Norte, pois colocou novamente o nordeste no circuito do Super 10.

- Qual seu conselho para quem esta começando agora?

- Cara. Sou um apaixonado pelo rugby, e para quem queira iniciar uma coleção digo, faça por amor, pois terá horas que só você irá valorizar. Mas a recompensa é olhar a coleção e poder falar que parte da historia do rugby  está com você.
E tenho o sonho de abrir um PUB voltado  para o rugby aqui no Rio de Janeiro.

 

Se você é, ou conhece alguém, que também é coleciondar de camisas ou quaisquer materiais de rugby, entre em contato com a gente, pelo e-mail: contato@sulback.com.br 

As melhores fotos do Bento 7

11/12/2013
As melhores fotos do Bento 7

Confira toda a cor da galera que prestigiou o Bento 7's 2013.

Um grande evento no estádio da Montanha, em Bento Gonçalves. Foi realizado o IV Bento 7's e trazemos as melhores fotos reunidas neste post especialmente para você.

Muita gente linda e bom rugby para encerrar o ano de competições da FGR.

O imperdível Mamutes do Farrapos x Canfora, um show dentro do espetáculo da etapa final do Campeonato Gaúcho de Rugby Sevens.

A empolgação contagiou as arquibancadas.

Muita alegria, amizade, e confraternização dentro e fora de campo.

E que venha o V Bento 7's!

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Morre Nelson Mandela, o presidente que utilizou o rugby pela igualdade racial

05/12/2013
Morre Nelson Mandela, o presidente que utilizou o rugby pela igualdade racial

Presidente da África do Sul entre 1994 e 1999, ele tinha 95 anos.

Líder foi hospitalizado em dezembro para fazer exames de rotina.

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela morreu aos 95 anos em Pretória, anunciou o presidente do país, Jacob Zuma. Mandela ficou internado de junho a setembro devido a uma infecção pulmonar. Ele deixou o hospital e estava em casa. “Ele partiu, ele se foi pacificamente na companhia de sua família”, afirmou o presidente. “Ele descansou, ele agora está em paz. Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu seu pai.” Via Portal G1.

Para os amantes do rugby, ficará na memória como o presidente que utilizou a Copa do Mundo de 1995 como ferramenta de unificação social contra a discriminação e desigualdade racial pós apartheid.

 

A continuação publicamos relato de um jornalista argentino que guarda intacta a indelével recordação de um dos momentos mais icônicos do esporte, talvez por ter transcendido os próprios limites do esporte. Também publicado no blog do jornalista João Paulo Mileski "Rugby em Pauta".

Frankie Deges cobriu in-loco a Copa de 1995, na África do Sul, e elaborou o seguinte artigo publicado no site A Pleno Rugby.

Se todos nós sabemos o que aquele Mundial significou para os sul-africanos, poucos, como Frankie, viram, ouviram e testemunharam que a compassividade e o esporte também podem ser armas poderosas contra a divisão de um povo.

 

El día que estuve con Mandela, por Frankie Deges

Recuerdo vivamente el día que estuve con Nelson Mandela. Fue el viernes 25 de mayo de 1995. Ciudad del Cabo había amanecido con un increíble sol y cuando el clima es así de perfecto, pocas ciudades del mundo están a la altura de la gran perla africana.

Había llegado a Sudáfrica para cubrir mi primer Rugby World Cup y si bien había tenido la enorme fortuna de visitar ese país tres veces en los años previos, la electricidad que se vivía ese día, ese mes, no la había vivido nunca. En ninguna otra parte. Las sensaciones de ese mes no las volví a vivir en los siguientes 18 años.

La jornada arrancó con el viaje de media hora a Newlands, el estadio de rugby mas lindo de Sudáfrica. Me estaba quedando en la casa de mi amigo y colega sudafricano Louis de Villiers, en las afueras de la ciudad, cerca de la costa, mirando hacia la enormidad de Table Mountain (la montaña de la mesa). Partimos temprano para un partido que prometía un arranque mundialista increíble: los Springboks contra Australia, el campeón mundial defensor.

Una parada casi obligada por el Springbok Pub, a pasos del estadio y construido alrededor de un viejo vagón de tren, y la excitación que crecía por minuto. Entre esos recuerdos imborrables está que, por estar lesionado y ser empleado de la Unión de Western Province, quien me llevó a mi ubicación en la tribuna de prensa fue el icónico Chester Williams.

El wing de los Springboks era la gran figura de ese Mundial. Saludaba desde los carteles, South Africa Airways regalaba una gorra con sus ojos en la parte delantera y era la cara de la transformación de su país. Representaba mucho mas que el color de su piel; sobre Williams se había edificado la comunicación de un país multicolor. Una lesión unos días antes había frustrado su sueño; terminaría volviendo al equipo para los cuartos de final y fue finalmente campeón del mundo. Ese arranque del Mundial lo vio trabajando con los muchos periodistas internacionales.

PJ Waters y la banda LadySmith Black Mambazo cantaban para un alegre público mientras se soltaban globos y había bailes que representaban todas las etnias del país. No era mi primera vez en Sudáfrica y tenía la suerte de entender bastante bien lo que pasaba en ese país. Si bien no llegué a vivir lo peor de la atroz política de segregación y falta de derechos –el Apartheid duró entre 1948 y 1994 – mi primer visita había sido en marzo de 1991 cuando todavía era complicado el tema racial.

Regresé en el ’92 y en el ’94 y se notaban algunos cambios mas cosméticos que de fondo aunque había un temor del otrora dominador blancopor el protagonismo que podían llegar a buscar a modo de venganza los antiguos dominados. El término AffirmativeAction (acción afirmativa) tensaba los nervios de la población blanca ya que ponía en riesgo su forma de vida.

Acá entra Nelson Mandela. Abogado de profesión, luchó contra el Apartheid primero desde las ideas y después desde la lucha subversiva. Se convirtió en un gran enemigo del sistema blanco y finalmente fue apresado. Tuvo la suerte de evitar la muerte como varios ex compañeros suyo de causa, pero pasó 27 años en prisión por actos de terrorismo y alta traición. Salvo los últimos meses de reclusión domiciliaria, el resto fueron en lugares alejados, con mínimo contacto con su familia o amigos y con largos períodos de trabajo forzado.

Aún así, en su aislamiento, se convirtió en el líder silencioso de una mayoría sin poder. La presión internacional que había puesto cientos de embargos al país no podía dejar de oírse. Y el pedido de que liberen a Mandela era tan fuerte que la arrogante dirigencia nacional debió atender el reclamo internacional.

Fue así que el 11 de febrero de 1990 Mandela fue liberado. En vez de volver a la lucha armada, que era lo que preferían desde su partido, el Congreso Nacional Africano (ANC), Mandela tuvo un discurso conciliador desde su salida de la cárcel. En el ’92, Mandela y el ANC ya se habían portado bien con el rugby al dejar que los Springboks jugarán con Australia en un momento complicado. Se dice que Danie Craven mientras fue Presidente de la South African Rugby Board siempre tuvo buena relación con el ANC.

Dos días antes del partido con que arrancaría el Mundial, un año y 13 días después de su asunción como presidente, Mandela se acercó a saludar a los Springboks. Esa visita salió publicada en todos los diarios que ya enfocaban la mayoría de sus páginas al rugby.

Cuando llegó el momento de la apertura del Mundial, se anunció la presencia del presidente de todos los sudafricanos. La enorme mayoría de los miles de hinchas que llenaron Newlands eran blancos. Con su mano derecha en alto, saludando, y usando una camisa de diseño multicolor, caminó hasta el centro de la cancha ante el canto cerrado y ruidoso de “Nelson, Nelson, Nelson.”

Se paró frente al micrófono y su pausa fue eterna. Los cantos no le daban espacio para que empezara. Su enorme sonrisa blanca era tan sincera que emocionaba. Ese era su momento, el reconocimiento de una parte de la población que lo había puesto tras las rejas, que había manejado de manera repudiable su país, que había asesinado a cientos de hermanos de color por el simple hecho de no ser blancos. Su país, a partir de su mensaje de unidad y paz, estaba cambiando.

Sentado al lado mío estaba Dan Retief, una de las principales plumas del rugby sudafricano. Escribía entonces en el prestigioso Sunday Times que en 1980 había comenzado la campaña pro-liberación de Mandela. Dan había vivido toda su vida adulta como testigo de las injusticias del Apartheid. Él, como muchos otros sudafricanos blancos, lloraba lágrimas de alegría por el amanecer de un nuevo país mientras el canto de “Nelson, Nelson, Nelson” no paraba. Finalmente, Mandela habló en Newlands, dio por inaugurado el tercer Mundial y el mundo tomó noticia de que Sudáfrica no era mas lo que había sido.

No se lo volvió a ver a Mandela en el Mundial hasta la final. Con el movimiento natural de un torneo que fue impresionante – uno de mis mejores recuerdos en una vida periodística plagada de buenos momentos – casi ni caímos en la cuenta de su ausencia. Luego nos enteraríamos a través del libro El Factor Humano, una buena crónica del inglés John Carlin, que seguía en contacto constante con el que hacer del torneo y de su equipo. Mandela había sido clave para retener el Springbok como símbolo del rugby que sus correligionarios querían abolir como castigo a tantos años de Apartheid.

El sábado de la final fue otro fabuloso día. Sol y alegría por todas las calles. El país arco iris (RainbowNation) estaba de fiesta. De saco y con la corbata de mi club, fui al mítico Ellis Park como quien va a una fiesta de gala. Faltaba el partido que empezó a ganarse cuando Mandela apareció por el vestuario local vistiendo la camiseta número 6 de François Pienaar. Cuando salió a saludar a los dos equipos, explotó Ellis Park. Fue un envión anímico para una nación que buscaba como reconciliarse.

Si Mandela había sufrido al hombre blanco durante toda su vida y ahora le extendía la mano abierta en franca amistad, no podía negársele la oportunidad a todos los sudafricanos de buscar caminos que los convirtieran en un pueblo unido. En la memoria colectiva del rugby quedará para siempre la foto del capitán François Pienaar, rubio de cara angulosa, el típico chico Boer, recibiendo la Webb Ellis Cup de manos de su presidente. Un momento, un gesto, una historia. Se me sigue poniendo la piel de gallina…

Pasó el tiempo. Sudáfrica pudo encontrar caminos de convivencia. No es el país ideal, las heridas cuando son tan profundas llevan tiempo para curarse. Mandela marcó un rumbo; su desaparición de la vida pública y mientras lucha con su vida, permiten reflexionar sobre una vida de convicciones y de lecciones.

Mi recuerdo personal será siempre el de haber estado con Mandela.

Su presencia era tan magnética que, mas allá de haberlo compartido con miles de enfervorizados hinchas tanto en Newlands como en el Ellis Park, sigo sintiendo que con el personaje mas emblemático del siglo pasado tuve una intimidad que sólo nos permiten los grandes. Sigo sintiendo el Nelson, Nelson, Nelson, sigo escuchando a los miles de hinchas cantar el Shosholoza y sigo con la idea de que estuve en un mano a mano con Nelson Mandela. Eso me hizo sentir Madiba aquel 25 de mayo de 1995 en Newlands y el 24 de junio del mismo año en el Ellis Park.

Foto: IRB/Divulgação


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